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CONTRIÇÃO |
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Curvo-me
diante da vida, genuflexa, confessando-me
bem-aventurada. Bendita seja
a dor, que me visitou lapidando-me. Benditas
sejam as lágrimas, que refrescaram o ardor de meus
olhos. Salve o sol,
que iluminou meus dias escuros, nas trevas do
desequilíbrio. Salve a lua,
que brilhou nas noites sem sonhos...Insones. De todas as
quedas e de todas as decepções, guardo marcas. Marcas que acaricio, com
humildade, quando me falam do quanto fui frágil. Tudo isto,
transformou-me, no ser humano que aprendeu a
esperar. Tudo isto,
ensinou-me a ver a beleza da vida. Sou inteira
depois de fragmentada. O sol
continua a fecundar a terra, a lua levar sonho aos corações
enamorados. As flores
enfeitam os caminhos, pessoas enfeitam sua solidão com
verde-esperança. Bendita luz,
que chegando, encontrou-me preparada. Meus olhos
aprenderam a ver, meus ouvidos a ouvir. Meu coração
aquecido, já aprendeu o Amor. Bendita seja
a Vida!
Maria Augusta Cristo de Gouvêa |