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Célula-Tronco Faz roedor voltar a andar.
Estudo reforça esperança sobre uso da terapia na recuperação de vítimas de
paralisia Inserida em: 23/9/2005 Reportagem: Herton
Escobar Em mais uma prova de seu
potencial terapêutico, células-tronco humanas foram capazes de formar novos
neurônios na medula espinhal de camundongos parcialmente paralisados. Seis semanas após o
transplante, os animais recuperaram a capacidade de se locomover por meio de
passos coordenados entre as patas da frente e de trás. Os resultados reforçam a
esperança de que, no futuro, as células-tronco poderão ser usadas na
recuperação de pessoas vítimas de paralisia. O estudo foi feito com
camundongos que tiveram a medula espinhal intencionalmente lesionada para
simular uma situação de paraplegia (paralisia dos membros inferiores, ou
posteriores). Divididos em grupos, alguns receberam uma aplicação de
células-tronco humanas adultas, provenientes do cérebro de fetos abortados de
16 semanas. Segundo os cientistas, as células não só migraram para o local da
lesão, mas se diferenciaram em neurônios e oligodendrócitos - as células de
mielina que protegem os neurônios, assim como uma capa de borracha protege
fiações elétricas. Com isso, a rede de
comunicação entre o cérebro e as patas traseiras - que estava danificada -
foi parcialmente restaurada, permitindo que os camundongos recuperassem suas
habilidades motoras. 'Não foi uma cura de 100%, mas eles recuperaram a
capacidade de caminhar de maneira coordenada, o que não é trivial', disse ao
Estado o pesquisador Brian Cummings, da Universidade da Califórnia em Irvine.
Ele é o primeiro autor do
estudo, publicado na revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos
Estados Unidos. 'É mais um trabalho a favor do grande potencial das
célulastronco', disse o pesquisador brasileiro Tarcisio Barros, da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), que também trabalha com
células-tronco para a recuperação de lesões medulares. Em seu projeto, 30
pacientes com paralisia receberam injeções de células-tronco retiradas do
próprio sangue. Entre um e dois anos depois, 18 deles já demonstram
recuperação de sensibilidade - nesse caso, uma medida da capacidade de
transmissão de um pulso elétrico entre o cérebro e os membros inferiores. Ainda não houve recuperação
da motricidade, mas os resultados parciais já indicam que é possível
restaurar parte da fiação elétrica neuronal destruída pela lesão. 'Não é nada
mágico', esclarece Barros. 'Mas só o fato de restabelecer esse contato já
abre uma série de perspectivas terapêuticas.' A meta é acompanhar os
pacientes por cinco anos. No estudo com camundongos, as
células-tronco fetais foram tiradas de tecido cerebral. O que significa que,
apesar de indiferenciadas, elas já estavam biologicamente programadas para
formar células neurais. Ainda não é possível dizer
com certeza, mas todas as evidências indicam que as células-tronco humanas se
diferenciaram e até formaram sinapses com as células dos camundongos. Para
demonstrar isso, os cientistas aplicaram uma toxina seletiva, que destruiu
todas as células humanas sem danificar as dos camundongos. Resultado: os
animais que haviam melhorado a motricidade regrediram para o estado original
da lesão, como se não tivessem recebido tratamento. 'Isso mostra que as
células-tronco tornaram-se funcionais, e não apenas estavam ajudando as
células do camundongo a se regenerar', explica Cummings. Fonte : O Estado de São Paulo |