
Naquela noite
Nós nos amávamos muito e apesar das
dificuldades
que enfrentavámos eramos felizes.
Para complementar o orçamento
doméstico eu
arrumei mais um emprego.
Todo final de tarde trazia para
casa folhas e folhar de papéis
escritos a mão para serem
datilografados.
Eles deveriam ser entregues no dia
seguinte,
por isso eu ficava até altas
horas da noite datilografando.
Você meu amor ficava ao meu lado.
Com muita paciência varias vezes me
convidada para ir para a cama,
queria dormir pertinho de mim,
queria aproveitar os nossos momentos
juntos para conversarmos,
mas apesar de amá-lo muito eu não
podia aceitar seu convite...
não tinha tempo para lhe dar a
atenção que tanto merecia.
Ao ouvir minha recusa,
você colocava seus braços em volta do
meu pescoço, me
abraçava com ternura e me beijava com
muita doçura.
Eu lhe retribuia os beijos,
fazia carinhos em seu no rosto...
as vezes desalinhava seus cabelos numa
brincadeira e riamos felizes.
Depois dessa troca de carinhos,
eu lhe dizia que não podia ir
me deitar com você pois tinha muito
trabalho a ser feito.
Você me olhava com seus olhos
verdes da cor do mar,
voltava a me beijar e abraçar,
se afastava meio triste.
Quando eu pensava que que você já
estava dormindo,
você chegava de mansinho com um
cafezinho quentinho
que acabara de fazer,
isso fazia com que meu coração ficasse
enternecido.
Aí você ficava mais um pouco ao meu
lado,
depois, já meio sololento,
pedia desculpas por não aguentar ficar
acordado e ia dormir.
Isso se repetiu muitas e muitas vezes.
Pedrão!
Eu lhe juro,
queria dar todo o carinho que você me
pedia (e merecia),
mas não tinha tempo...
Nós só nos encotravamos
à noite,
e eu precisava dela para
trabalhar.
Estava muito frio,
era o mês de maio,
como nas outras noites veio ao meu
encontro,
vi você descendo as escadas vestindo
seu pijama verde...
nossa,
como você estava lindo,
não resisti,
levantei e dei-lhe um abraço apertado e muitos beijo.
Você sorriu e disse:
- Abre as mão e fecha os olhos.
Eu fiz o que você me pedia.
Senti uma folha grossa ser depositada
em minhas mãos,
sem desconfiar do que se tratava abri
os olhos...
Que supresa,
que emoção,
lágrimas abundantes correram pela
minha face...
na folha de papel estava escrito
“Diploma de Datilografia”
e logo abaixo,
“Eduardo Pokk”.
Tinha em minhas mãos o seu diploma de
datilografia...
você meu filho tinha apenas 8
anos.
Sem que eu soubesse,
você havia pedido para seu tio pagar a
escola de datilografia,
queria me fazer uma surpresa.
- Mãe agora eu posso te ajudar a
datilografar
e assim você pode dormir cedo e
descansar mais.
Naquela noite eu larguei tudo que
estava fazendo
e fui me deitar pertinho de você.
Coloquei o braço embaixo de sua cabeça
e o abracei...
Você se acomodou em meu peito e
dormiu.
Aquela noite vai ser para sempre uma
noite inesquecível.
Muriel
Elisa Tavora Niess Pokk 27.11.05