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AMIGOS E AMIGOS Muriel
Elisa Távora Niess Pokk Tenho amigos maravilhosos. Alguns ligam, outros mantêm contato comigo pelos
meios que a internet proporciona. Diariamente trocamos, dessa forma, as
nossas novidades. Com o passar do tempo conheci a todos e aprendi a
respeitar a maneira de ser de cada um. Há aqueles que são frágeis. Extremamente
sensíveis se magoam com facilidade. Ao desabafarem desejam ser ouvidos em silêncio, sem
nenhuma interrupção, e qualquer conselho dado será por eles recusado. Nada do que lhes seja dito os ajudará. Em sua
visão seu problemas não têm solução. Há aqueles que são fortes. Sua força interior é tão grande que eles
conseguem deixar seus problemas de lado para ajudar aos que deles precisam. Oferecem aos necessitados seu ombro amigo,
abraçam com carinho e deixam sair de seus lábios palavras reconfortantes. Estes amigos, por maior
que seja sua dor, jamais se queixam, nem se lastimam. Eles trazem dentro de
si muita fé, e em seus corações uma confiança inabalável em Deus. Há aqueles que ficam ao
nosso lado enquanto o clima está ameno, enquanto estamos rindo e brincando,
enfim enquanto estamos bem. Mas ao menor sinal de “ventos fortes, de céu
escuro ou tempestade”, ao saberem das tristezas e das dificuldades pela qual
estamos passando, eles simplesmente se escondem. Estes desaparecem de
nossas vidas como num passe de mágica. Não nos visitam, não nos telefonam
mais, nem retornam as nossas ligações;
param de nos mandar e-mails, não respondem mais aos nossos; no
messenger ficam indefinidamente off-line, talvez por terem criado outro msn
ou simplesmente por nos terem bloqueado. Se insistirmos em ligar
para suas residências, eles não atenderão ao telefone, pois sem dúvida
adquiriram um identificador de chamada. Se por acaso alguém em sua casa
atender ao telefone, logo perguntará o nosso nome, repeti-lo-á em voz alta e, depois de uma
breve pausa, ouviremos: “não esta”, “acabou de sair”. Com o passar do tempo, a
alegria e a felicidade voltam a bater em nossa porta, e por incrível que
pareça nossos amigos desaparecidos também. A esses amigos, eu costumo
chamar andorinhas... Eles vão e voltam conforme o tempo. Na época em que não os compreendia, eu ficava profundamente magoada com
essa atitude deles. Mas amigos espiritualistas deram-me uma explicação que me satisfez. Explicaram-me que existem vários níveis
espirituais, que podemos comparar os espíritos aos degraus de uma escada
interminável. Agora que compreendo meus amigos “andorinhas”,
suas atitudes já não me magoam mais; sei que o fazem, não o fazem por
maldade. Não posso pretender que alguém que esteja ao pé
de uma montanha tenha a mesma visão daquele que se encontra em seu cume. Registrado em cartório
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