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Empresas Oferecem Vagas? Lendo
o artigo da Fabiana Ribeiro sobre a lei de 1991 que obriga as empresas terem
uma cota de vagas que varia de 2% a 5% para portadores de deficiência,
lembrei-me, das várias vagas de oferecida em jornais e sites. Realmente
bancos, firmas e escolas ofereciam (ainda oferecem), oportunidade de emprego,
mas, para pessoas com o segundo ou terceiro grau, e, com experiência mínima
de UM ano. Em
nenhum momento vi nos lugares que li, vagas com funções simples, em que o
portador de deficiência pudesse trabalhar com pouca escolaridade. Se
o portador de deficiência não conseguiu, fazer o segundo grau completo, não
conseguiu concluir o terceiro grau ou não conseguiu chegar até a tão desejada
faculdade... Deverá ele ser excluído da sociedade? Se
o portador de deficiência, nunca trabalhou, como poderá ter experiência?
Deverá ele, ser condenado ao eterno desemprego, por ter cometido o crime de
nunca ter trabalhado antes? Tive
a nítida impressão, que as vagas oferecidas, o eram, apenas por serem
obrigatório por lei. Ao ser colocada tanta exigência, a maioria é
automaticamente excluída. Talvez, até mesmo essa vaga nunca chegue a ser
preenchida – "não por culpa da empresa" – mas, por não ter
aparecido ninguém capacitado para preencher-la. Lembrei-me
da luta (infrutífera) que tive por vários anos com escolas e instituições,
para que houvesse realmente uma PROFISSIONALIZAÇÃO com portador de
deficiência mental. Lembrei-me
das vezes que critiquei duramente diretores e diretoras de escolas especiais "profissionalizantes"
(ONG ou não), por não oferecem no próprio local, oportunidade de trabalho. Lembrei-me
de uma escola, que após eu ter conversado "duramente", resolveu
deixar UM (a) aluno(a) por uma ou duas horas em "exposição", uma ou
duas vezes por semana na secretária da escola (só pra dizer que o aluno
trabalhava lá). Isso
para mim é não é trabalho. Quando digo trabalho, o que quero dizer é:
TRABALHO DE VERDADE. É dar responsabilidade ao aluno-funcionário, é faze-lo
se sentir um ser humano de verdade. Não
quero um "enrolar", um "passar de mão na cabeça" dos
genitores (já tão desgastados). Creio
que é um absurdo, e, cômico ao mesmo tempo; uma "escola especial
profissionalizante", não ter em seu próprio estabelecido de ensino, um
portador de deficiência trabalhando lá normalmente. É
como se dissem: "Faça
o que eu digo, mas não faça o que eu faço". Há
pais que por motivos óbvios ou por motivos particulares, não desejam colocar
seu filho em uma escola "normal". E por isso vão em busca de uma
escola especial. Não
seria incentivante para um pai, ao chegar a esse local, ser atendido por
um(a) recepcionista portador(a) de deficiência mental ? Imagine
que conceito ele teria dessa escola se visse um rapazinho portador de
deficiência, atendendo ao telefone e anotando os recados. Que
sensação gostosa experimentaria esse pai, ao tomar um cafezinho servido por
um portador da síndrome de Down, enquanto esperasse pelo diretor. Que
conceito da escola levaria esse mesmo pai, ao ver uma mocinha simpática e sorridente,
portando algum tipo de deficiência mental tirando xerox? Cheguei
a triste conclusão que as escolas (que visitei) não se interessavam realmente
pela profissionalizam no sentido exato da palavra. No
texto, li ainda: "Segundo as companhias, existe um problema, que é comum
a todo o mercado brasileiro: falta de qualificação". No
que se refere ao portador de deficiência, essa falta de qualificação
continuará a existir, enquanto as escolas não se conscientizarem que seus
alunos têm capacidade, e que podem fazer muito mais, do simplesmente
fazer bijuterias, cobrir caixinhas com papel e fazer objetos com cerâmica. Quanto
ao trabalhador em geral, também continuará a falta de profissionalização,
enquanto entidades, igrejas etc, continuarem a dar "assistência" ao
desempregado, levando somente, roupas, cestas básicas e às vezes até
dinheiro. Ele precisa muito mais que isso. Faz-se
necessário, que entidades (governamentais ou não), igrejas e etc, formem
grupos de pessoas qualificadas, e que essas pessoas se dirijam a bairros
carentes e ensine uma profissão ao desempregado, dando-lhe assim uma
qualificação. Um
provérbio chinês diz: "Se você der um peixe ao homem faminto, ele se
tornará seu dependente, ensine-o a pescar e ele se tornará a vida inteira
independente" Alguém
pode dizer, mas, há alguns lugares que oferecem a profissionalização.
Verdade! Mas eu pergunto, como o desempregado sem dinheiro nem pra comprar um
pãozinho para os seus filhos, vai arrumar o dinheiro da condução? As vezes
ele mora num bairro tão afastado, que seria necessário tomar até três
conduções (ida e volta, igual a seis). Mesmo
existindo um instituto com a competência do IBDD (Instituto Brasileiro de
Defesa dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência), mostra-se necessário
então que haja também outras entidades que ajudem a completar o serviço acima
citado. Muriel Elisa Távora
Niess Pokk - 2004 Texto registrado em cartório |